Anunciar o Evangelho não é um título de glória para mim; ao contrário, é uma necessidade que me foi imposta. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!
 São Paulo
 
 
Ano B 
Dia: 22/11/2009
O Reino da Verdade
Jo 18, 33b-37
 
Pilatos tornou a entrar no palácio, chamou Jesus e perguntou:
- Você é o rei dos judeus?
Jesus respondeu:
- Esta pergunta é do senhor mesmo ou foram outras pessoas que lhe disseram isso a meu respeito?
- Por acaso eu sou judeu? - disse Pilatos. - A sua própria gente e os chefes dos sacerdotes é que o entregaram a mim. O que foi que você fez?
Jesus respondeu:
- O meu Reino não é deste mundo! Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para não deixar que eu fosse entregue aos líderes judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é deste mundo!
- Então você é rei? - perguntou Pilatos.
- É o senhor que está dizendo que eu sou rei! - respondeu Jesus. - Foi para falar da verdade que eu nasci e vim ao mundo. Quem está do lado da verdade ouve a minha voz.
 
Comentário do Evangelho
O Reino de Deus
 
O messianismo, que surge a partir do exílio da Babilônia, tem origem na figura de Davi. A tradição de Israel o apresenta como um rei glorioso que fundou um pequeno império ao dominar os povos vizinhos. Neste contexto, foi criada uma teologia imperial davídica, fortalecida pela profecia da aliança de Deus com Davi, à semelhança do poder religioso dos faraós, que se apresentavam como filhos do deus dinástico Amon-Rá. A partir do exílio na Babilônia, tendo desaparecido a sucessão de reis da dinastia davídica, os judeus, israelitas remanescentes na Judéia, permaneceram sob o domínio de impérios sucessivos. Muitos passaram, então, a aspirar pelo aparecimento de um "ungido" (hebraico: mashîah; grego:christós), o messias ou cristo, que seria um rei que com poder e glória restauraria o esplendor que a tradição atribuía ao antigo reino de Judá. No tempo de Jesus, sob o Império Romano, a expectativa messiânica era diversificada e intensa. Os próprios discípulos de Jesus que vieram do judaísmo participavam desta expectativa, que perdurou mesmo após sua morte, assumindo a forma de messianismo celestial. Jesus, com sua marcante liderança popular, foi confundido com o messias davídico. Daí se origina a atribuição do título de rei a ele, o que se evidencia, também, neste diálogo com Pilatos. A afirmação: "Meu reino não é deste mundo", isto é, desta ordem de coisas (kósmos), significa que ser rei dos judeus é próprio da ordem deste mundo. Jesus não pertence a esta ordem. Ele fala no Reino de Deus como o reino de "meu Pai". Ao falar em "meu reino", ele se situa como cidadão desse reino. A nova comunidade é o Reino de Deus, e seu caráter é o amor que se concretiza no serviço, e não a coroa real, seja na terra, seja no céu. Ao dizer: "Se meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus", Jesus coloca-se do lado dos gentios. "Tu dizes que eu sou rei", isto é, quem o diz é Pilatos. "Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade". E a verdade é a paternidade de Deus, a fraternidade entre homens e mulheres em torno de Jesus, na comunhão de amor. A condição terrena de Jesus é a imagem de sua condição celestial: "Quem me vê, vê o Pai". "Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele". Jesus é a expressão desse amor na simplicidade da condição humana, na fraternidade e no serviço, o que o desqualifica para ser rei tanto na terra como no céu. 
 
Oração

Senhor Jesus, aceita-me como membro do Reino que vieste implantar na história humana, deixando que Deus seja o Senhor da minha vida. 
Fonte:www.paulinas.org.br
 
 
A Bíblia é a Palavra de Deus.
"Passará o céu e a terra,
porém as minhas palavras
não passarão."
(Lucas 21:3)
 
Jesus lhes disse:
"Ide por todo o mundo e pregai o
Evangelho a toda criatura".
(Mc 16,15)